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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O Prato



O prato possuía um estranho alimento para o meu olhar...
Era uma espécie de mingau ou creme de duas cores, em repouso, na cabeceira da cama.
Seu aspecto estranho, não consegui identificar...
O que seria tal receita?
Confesso, era madrugada e a luz do celular era a única companhia para visualizar todo o quarto.
Ousei pegar a colher que estava no prato e peguei um pouco daquele alimento pastoso e coloquei na boca.
Senti algo forte...
Respirei fundo e lembrei...
Era o doce, metade brigadeiro e metade beijinho, que fiz antes de dormir.
Comi tudo naquele exato momento, bebi um copo d’água e acho que escovei os dentes...
O prato possuía um estranho alimento para o meu olhar, mas para o meu paladar... 
Delicia!

Sérgio Breneditt


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Reflexo no Vidro

I


Acima de qualquer suspeita o homem entra no quarto do hotel vestindo seu terno preto e carregando sua pasta com os contratos do escritório.
Algum tempo depois, um outro homem pede a chave do quarto 302 vestindo um jeans e carregando sua mochila preta.
A chave é colocada na porta que, ao ser aberta, permite a passagem de um som... Era uma música atual de tema romântico. A porta fica entreaberta.
De longe, a camareira observava tudo e, curiosa, se aproxima do quarto. Eis que um reflexo no vidro denuncia O CASAL.
[Devagar ela fecha a porta, sorri em sua ignorância e volta a trabalhar.

II


Ansioso, ele sai do escritório na hora do almoço vestindo seu terno preto carregando a pasta de contratos. Pede a chave do apartamento, já reservado, avisando que vai chegar uma visita e uma cópia da chave deveria ser entregue.
Deixa a pasta e o paletó sobre a mesa, fecha as cortinas, liga uma música e coloca o champagne no balde gelo.
Após um rápido banho, caminha pelo quarto, quando ouve o barulho da chave abrindo a porta.  De longe, a camareira observava tudo e, curiosa, se aproximava do quarto, mas ele não percebe.  Afinal, aquele a quem aguardava o tinha abraçado e o envolvido em uma terna dança sobre a meia luz que vazava pelo black-out das janelas.

III


Ao dar a partida no carro, ele vê uma mensagem em seu celular... A leitura traz um sorriso ao rosto que antes estava triste por mais uma briga com a namorada... Chegou ao hotel com sua mochila e seu jeans. Rápido pegou a chave com a recepcionista.
Já fazia um tempo que eles não se encontravam. Ele submergido com a faculdade e o estagio. O outro, em suas viagens de negócios e a esposa. Abriu a porta e contemplou o único homem que amou. O abraçou com ternura e ao som da música de Cazuza, que tocava na radio MPB, foram envolvidos em uma dança.
De longe, a camareira observava tudo e, ao se aproximar da porta, eis que um reflexo no vidro denuncia O CASAL.
Devagar ela fecha a porta, sorri em sua ignorância e volta a trabalhar, afinal era mais um dia típico no hotel.

Sérgio Breneditt


terça-feira, 26 de junho de 2012

Ele e o Dia dos Namorados



Tudo que ele queria naquela noite do dia dos namorados era namorar. Ele queria olhar o guarda-roupa e escolher a peça mais bonita para o encontro da noite, colocar seu perfume importado parcelado em 8x sem juros e namorar. Tudo que ele queria naquela noite do dia dos namorados era namorar...

Ele acordou cedo e saiu tarde com a enorme bolsa da academia, seu jeans rasgado na perna, all star e óculos escuros. Seu telefone tocou a manhã toda era aquele amigo louco querendo saber do outro, do outro amigo louco dele... Encontrou sua vizinha, dormiu no ônibus, chegou ao trabalho e trabalhou...

Almoçou um biscoito e ansioso olhou o telefone, uma mensagem,  a Vivo lhe deu 20 reais em bônus para falar no dia dos namorados e como eles adivinharam que tudo que ele queria naquela noite do dia dos namorados era namorar... Encontrar a sua pessoa e desfrutar com ela das coisas mais loucas e tão somente namorar...

Ele seguiu em direção academia, mas vez sauna... Uma esfoliação leve, dormir e acordou no vapor. Uma ducha fria, sabonete de pitanga, outra roupa, perfume e correr para encontrar aquele alguém para namorar, afinal tudo que ele queria naquela noite do dia dos namorados era namorar...

Foi ao shopping, fez pegação, pegou o telefone e nenhuma mensagem... Encontrou amigos e se sentou diante da Baía... Seus amigos conversavam e se entendia era dia dos namorados e todos queriam namorar eles também... Seu telefone não tocou, seu encontro não iria acontecer e só o que ele queria naquele dia dos namorados era namorar...

Sua bolsa no chão, uma lata de coca-cola e ele se envolveu em seus braços respirando fundo para não chorar... Seus amigos se entendiam em um canto, ele contemplava a Baía e as pessoas namorando ao redor... Um olhar encontra o seu era um cara estranho meio deficiente, mas alguém já o tinha para namorar naquele dia também.

Olhou o relógio faltavam cinco minutos para zero hora ele se levantou, despediu dos amigos, deu o ultimo gole na lata de coca-cola e segui para seu ponto... Tudo que ele queria naquele dia dos namorados era namorar, mas quando ele olhou novamente o relógio que marcava 0h05 percebeu o dia dos namorados acabou... Era melhor não querer mais nada.

Sérgio Breneditt


sábado, 9 de junho de 2012

Fantasiando 2


São 03h04 da madrugada, na TV vejo a reprise de um episódio da 1ª temporada de Queer as Folk. Por alguns minutos, após assistir uma cena ardente, fecho os olhos e fantasio sua presença...
A porta do meu quarto é aberta devagar e você entra.  O perfume do seu desodorante muda a atmosfera daquela que seria uma típica noite solitária. Eu visto apenas um pequeno short cinza e uma camiseta velha e permaneço deitado na cama.
Olhando-me fixamente como um animal em seu cio você se deita sobre mim e me beija intensamente. Não há nenhuma palavra... Sua mão dentro do meu short excita o meu sexo. Estou pronto sussurro em seu ouvido.
Mais uma vez me deparo com sua masculinidade latente sobre mim... A cama rangendo emitindo pedidos que eu não conseguia pronunciar “Entra em mim”, “Penetra em mim”... Sou preenchido pelo seu corpo e não tenho mais brechas para me silenciar posso gemer, gritar.
Estamos juntos... Eu, você e o nosso amor... Você diz que sentiu saudades repara em meu cabelo novo, repara meu corpo e fala de amor. Somos tomados por uma experiência extracorpórea, voamos juntos por cima das casas unidos pelo prazer de termos um ao outro.
De volta à cama, em uma posição que ficamos face a face nos beijamos calorosamente... Tenho-te dentro de mim.  Ouço alguém, um barulho e me assusto seus braços me envolvem de modo a me deixar mais calmo... Mais um longo beijo.
Novamente um barulho e desta vez é o som alto de uma música... Abro os olhos contemplo o teto do meu quarto... O barulho era Queer as Folk que terminou na TV e tudo o que passou era eu fantasiando um reencontro com você.

Sérgio Breneditt

terça-feira, 1 de maio de 2012

Tão SIMPLES... Como um SONHO.


Em uma tarde dessas eu o conheci. Ele tinha cumprimentado a minha avó e veio em direção ao fundo da casa onde eu estava. Ele estava suado era um dos empreiteiros da obra em frente a nossa casa e havia pedido auxilio a minha avó para guardar sua comida e tomar um banho após o trabalho.

Sua presença todos os dias ali já me era costumeira, sempre o cumprimentava com um seco bom dia e voltava com minhas atividades. Para mim ele era só um peão de obra, nunca me passou disso, sem atrativos ou uma beleza latente... Um cara trabalhador e comum que está por aí no dia a dia.

No entanto, em uma tarde ele entrou correndo pelo quintal, não se sentia bem. Minha avó idosa não podia ajudá-lo quando intercedi. Devido a um pico de pressão ele começou a sufocar quando desmaiou e caiu em meus braços. Tirei-lhe a camisa, vovó ligou o ventilador e lhe demos o remédio.

Após descansar um pouco na minha cama ele foi tomar um banho 
para ir embora seria impossível voltar ao trabalho. De toalhas, assim que saiu do banheiro me chamou no quarto e segurou minha mão. Nunca tinha reparado aquele rosto, aqueles olhos e cabelos negros, nunca tinha observado aquela figura cotidiana. Ele era lindo.

Hora das explicações, ele nos disse que tinha um problema no coração e dependia do remédio que se esqueceu de tomar. Agradeceu-nos por toda ajuda, deu um abraço em minha avó e o acompanhei até o portão. Nosso olhares estavam diferentes era um constrangimento comum a alguém que se interessa pelo outro, desconforto e desejo.

Ele me falou que sua parte na obra estava quase concluída e em poucos dias iria partir, mas queria me encontrar em qualquer lugar, qualquer hora dessas. Falou que já estava algum tempo reparando em mim. Falou que eu era lindo, encantador e apaixonante quando me deu seu número de telefone.

Confesso tive medo de ligar já tinha passado uma semana e a lembrança daquele homem, sua voz, seu corpo, seus cabelos martelavam diante de mim. Ele queria morar mais próximo pelo que soube da minha avó até alugaria um apartamento em São Gonçalo. Disse para ela que gostou muito de mim que eu tinha um bom coração.

Voltando do trabalho, alguns dias depois, meu telefone tocou era a inconfundível voz daquele que olhei com tanta curiosidade e admiração. Queria me ver, conversar um pouco... Um convite para um encontro, fomos ao shopping e lá ouvi a palavra que meu coração imaginava e sonhava ouvir... Ouvi o som do amor.

Em seu novo apartamento conversamos mais. Ele me falou dos exames médicos, que estava bem e que poderíamos viver juntos se eu quisesse. Foi tão simples... Como um sonho. Sentou-se ao meu lado, senti seu perfume de homem, me envolveu em um abraço para o nosso primeiro beijo... Respirei fundo... Acordei.

Sérgio Breneditt


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Meu Presente de Natal



O presente que eu quero...
Tem o frescor de banho de manhã e perfume de sabonete.
Tem cabelo molhado com cheiro de xampu de algas marinhas.
Tem o sabor de pão com manteiga e café com leite.
Tem alegria de mil sorrisos, aconchego de abraço no frio e beijinhos no cinema com cara de fruto proibido.
O presente que eu quero...
 Tem fotografias com a cabeça torta tiradas com o celular...
Têm mais de cem amigos no facebook, ama a lua e a madrugada, mas adora dormir na praia, ver o sol e pescar.
O presente que eu quero...
 Toca violão ou sabe cantar, escreve poesias, canções, sabe fazer bolo e tem preguiça de esquentar a comida no fogão.
Tem o quarto bagunçado dessas bagunças organizadas onde se sabe onde estão as coisas.
Ama os livros, mas também joga no computador e viaja lendo blogs na internet.
O presente que eu quero...
Escuta MPB, mas também se alegra com o som do Patatí e do Patatá.
Tem bom humor, gosta de crianças até os cinco anos, mas se irrita com crises de adolescentes.
Quer ter dois filhos, um cachorro e gato...
O presente que eu quero...
Quer uma casa de inverno, uma casa de verão e um carro pago a prestação.
Tem cartão de credito, ama DVDs e faz cafuné...
Ora antes de dormir e chora vendo final de novela na TV.
O presente que eu quero tem coragem para dizer sim, ousadia para dizer não e um coração enorme para dizer Eu te amo.
O presente que eu quero é especial...
É único e será meu, só meu.
O presente que eu quero...
Será tudo, todo dia será...
Será humano, lindo, sagrado e terá um nome incrível...
Se chamará “Meu Amor”.

Sérgio Breneditt


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Amor INTERMEDIÁRIO


Para: D’ara

Muitas vezes os caminhos da vida nos conduzem a um lugar não muito agradável... Eu caminho por lugares que não gostaria... Eu caminho e ninguém me conhece, ninguém me cumprimenta neste caminho...
Agora aqui, neste entre lugar, eu apenas sou palavras, sou apenas sentimentos, sou apenas lágrimas.
Odeio essa tristeza em mim, odeio essa condição internalizada que como diz uma amiga e professora me impedem de aproveitar as bordas, o que está à margem da minha existência... Fico preso ao meu interior triste e impaciente.
Sou jovem? Sim.
Sou bonito? Sim.
Sou saudável? Sim.
Sou feliz?
Essa questão, não sei responder.
Falta léxico para formar essa sentença, falta coragem para fazer acontecer, falta amor próprio também.
Às 23h34 de um dia qualquer encontrei no ônibus alguém que gostei muito e que posso definir como um amor intermediário. Aquele tipo de amor que surge depois dos amores da infância e antes do grande amor da sua vida. Amor que é junção de hormônios da adolescência e anseios por uma vida adulta.
Seu rosto estava cansado com pequenos sinais do tempo, ela certamente estava voltando do trabalho. Seu corpo também não era o mesmo depois da gravidez ela engordou um pouco. Seu cabelo cresceu era tão curto e agora está longo, pude perceber devido ao grande coque no alto de sua cabeça, coque que era coberto por uma redinha com laço.
Sei que ela me viu, estava no banco de trás do ônibus e este não estava cheio. Era possível visualizar todos os rostos logo assim que rodasse a roleta, mas ela preferiu me ignorar, certamente seria mais fácil. É sempre difícil encarar alguém que um dia você se apaixonou, faltam palavras e as perguntas cretinas do tipo “como você está agora?” ou “já casou?” são inevitáveis.
Por falar em perguntas eu nunca tive coragem de perguntar se ela também me amava. Um dia era especial o outro também, estávamos juntos e eu ali bem infantil nas coisas do coração sem imaginar que aquele coração batia por mim. Eu a perdi. Cantei em seu casamento, a vi ter o primeiro filho, a vi construir sua família... Depois de longo tempo, agora neste momento me pergunto seriamos felizes? Mas, nunca terei essa resposta.
Esse amor intermediário, hoje saudades, lembranças e memórias me faz ver e confirmar o quanto sentimentos tido como menores são importantes... Talvez ali nos braços de D'ara eu tivesse me encontrado e nunca me enganado. Talvez nos braços de D'ara eu não tivesse me entregado ao passado, ao grande amor do passado finado. Talvez. Vou caminhando em suposições.
Certa vez ouvi uma pessoa me dizer que quando você começa a lembrar dos amores que viveu é um sinal que você está esquecendo a história que outrora era mais marcante. Se for verdade percebo que tudo está caminhado para o esquecimento pleno de um amor, de um grande amor não consumado. Agora me recolho mais uma vez, machucado ao relembrar, ao ver a vida que seguiu e os meus amores que se foram...
Ainda estou na parte interna de mim... Ainda não consegui alcançar as bordas e aproveitá-las... Sou prisioneiro meu, sou passageiro querendo saltar de um ônibus que passa por todas as paradas e recebe delas todos os tipos de pessoas, feias e bonitas, ricas e pobres, felizes e infelizes. Sou o amor intermediário de uma mulher que um dia sonhei que seria minha, sou amor intermediário querendo ser grande... Querendo não ser mais um nesse ônibus da Vida.
Sérgio Breneditt



quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Nota de Rodapé

Um dia de cada vez e outros anseios me fizeram...
Amar alguém que não deveria. Coisas da vida?
Não sei responder, poderia ser mesmo, talvez sim, talvez não.
Definitivamente de que vale entender se o que senti estava ali latente ao ponto de marcar...
Rasgar, devorar, tatuar em meu coração um desejo inimaginável.
Eu que era um menino desses tais que pensam demais...
Sem muitas histórias, um menino que escrevia poesias e contos que deixou-se levar...
O caminho ninguém sabia qual e eu, menino, segui no escuro a direção do vento, algo...
Novo, posso dizer, sem solidez, mas algo foi certo com aquele vento eu voei ...

Sérgio Breneditt


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Fantasiando


De repente bate uma saudade já são 00h47 e eu preciso trabalhar de manhã...
Fantasio o toque do telefone...
É você dizendo que está no portão me pedindo para entrar.
Todos já dormem e silenciosamente te trago para o meu quarto, apesar de frio o ar-condicionado está ligado dando um clima de inverno rigoroso.
Você tranca a porta depois de certificar que minha mãe dorme com a porta do quarto dela fechada.  Por um momento te pergunto o que quer e em menos de cinco segundos me beija e com a boca colada no meu pescoço sussurra: Você!
Fico aturdido quando você joga as roupas que estão sobre a  cama no chão e me puxa para deitar. Meu short preto é arrancado e minha camisa branca de dormir é rasgada ao mesmo tempo em que você morde minha orelha.
O jeans áspero da sua calça roçando minha coxa, seu membro rijo explondindo de tamanha excitação encontra a barreira da minha cueca branca eu ali vulnerável, entregue, esperando tão somente ser consumido pelo seu fogo.
Você me beija, eu te beijo.
Seus pêlos contra os meus.
Seu cheiro de desejo se mistura com o perfume do meu creme de algas marinhas.
De repente depois de ficar nu você segura forte meu rosto, olha nos meus olhos e diz: Eu te quero, eu te desejo, eu sempre amei você...
Depois disso eu me dou, eu te dou.
É forte, é ativo, é selvagem e terno, é simplesmente amor... O nosso amor.
Seu celular toca é um sinal você precisa voltar para casa... Digo fique mais, fique aqui, dentro de mim...
Uma hora depois sou despertado em seu peito...
Realmente você precisava ir...
E eu fiquei aqui fantasiando a sua volta.

Sérgio Breneditt 

domingo, 12 de junho de 2011

+ um pedaço da minha Paixão



Você corre perigo!
Sei que ainda sabes que encontra espaço em mim...
No entanto, esta chegando a hora de te esquecer e quando eu te esquecer...
Vai ser para sempre...
Vai ser para o nada e não irão sobrar vestígios seus...
Quando eu te esquecer, vais morar no interior silencioso do passado.
Vai repousar sua cabeça no colo do esquecimento e só ouvirá a voz da solidão...
Sem canções, sem o som do piano...
Sem minha visita inesperada... Quando eu te esquecer.
Deixarei de olhar perdido, terei um caminho e outro alguém para dedicar emoção.
Respirarei a liberdade de uma vida sem amarras, sem paixão.
Quando eu te esquecer...
Não perderei a hora nem ficarei ao lado do telefone esperando ouvir sua voz.
Não pensarei no “onde está você?” ao ouvir uma música romântica no trocar da estação. Serei livre quando eu te esquecer.
Mas como ainda não te esqueci, passo dias, meses e até anos aguardando o seu regresso. Seu olhar procurando o meu, sua boca com sede da minha, aguardo.
Como não te esqueço namoro a chuva, respiro o perfume do ar e durmo nos braços da solidão. Perco-me por caminhos que sempre segui, caminhos que conheço há muito tempo. Faço o seu itinerário para te encontrar.
Escrevo poesias, resenhas, monto blogs e canto minhas canções com o único propósito de alcançar seu coração. Como não te esqueço, esqueço de mim. Fico feio, fico gordo, fico infeliz. Fico procurando a parte que você levou...
Como não te esqueço perco meu tempo de estudo com orações e pedidos para que você se permita me amar. Eu sou perfeito para você... Te entendo, te aceito, te amo, te amo, te amo e faria de tudo para envelhecer ao seu lado, te fazer a pessoa mais feliz do mundo.
Não haveria dúvidas, só a certeza de que a felicidade existe, e nós juntos somos a morada dela. Ah, eu fugiria, mudaria de nome, passaria fome eu seria seu alimento e você, você se me amasse já me daria tudo.
Como eu não te esqueço ainda, perco linhas e divido angústias com o papel. Procura palavras em meu léxico, respiro fundo para terminar mais um post, mais um relato, mais um pedaço da minha paixão.
Hoje, depois de anos, repito o que eu te disse tantas vezes, mas vejo que as coisas estão mudando... Nossa utopia deixa de ser real e nesta hora já não sinto falta do nosso beijo... Aquele beijo na janela, lembra? Sei que não, não existiu pra você.
Também não sinto tanta falta da nossa melodia... Aquela que ouvíamos no por do sol, lembra? Não? Entendo... Já não sinto, com a mesma intensidade, falta das poesias e das canções... Aquelas poesias que escrevi para você e as canções que você fez para mim, lembra?
Ainda assim quero trazer a sua memória o que não saiu da minha...
Aqueles momentos que vivemos e vivemos em pensamentos, em desejos, em silêncio onde lembro que você gostava de não me abraçar e eu gostava de ficar perto. Nossa união tão estável em fantasias e essas coisas sólidas que solidificam um amor.
Lembro que ao seu lado era como estar só diante do mar, ouvia os sons das ondas, mas não mergulhava... Sempre amei contemplar o mar. Falar de você já não me faz bem sinto a mesma angústia e anseio de morte que sentia ao seu lado devido a tanto desprezo.
Para matar a saudade escuto a nossa canção aquela que dizia i believe in you and me... Ela dizia que “eu estava perdido, hoje estou livre” dizia que seríamos felizes. No auge da canção, a voz da Whitney Houston, desvenda meu coração dizendo que eu posso parecer bobo dizendo tudo que digo, mas quero ser um bobo para sempre se ser bobo é acreditar em nós...
Definitivamente eu acredito em milagres, o amor é um milagre e durante anos ouvia essa canção para pensar em você, e ao saber que você mal a conhece só revela que eu realmente tinha fé por nós dois. Hoje não existe o i believe in you and me e sim um sentimento de amor que vejo morrendo, uma morte lenta e que fará eu te esquecer, e isso vai acontecer...
E quando eu te esquecer serei mais feliz, e você? Quem é mesmo você?
Quando eu te esquecer... Vou lembrar apenas de mim, terei um nome, identidade e um amor imenso que entregarei a pessoa certa. Quando eu te esquecer, escreverei o último texto da minha vida cujo fundamento seja você, mas como disse antes, ainda não te esqueci e fico aqui tentando... Fazer você sentir o meu amor.

Sérgio Breneditt


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Procuro um Amor


Não sei por onde começar a escrever este texto não quero pensar muito.
Quero fazer como fazem os amigos na hora de desabafar, onde não existe preocupação, apenas o falar, o desabafar em si e as lágrimas (se houver).
Esta noite meio que dia fiquei pensando na minha aparência, nas minhas vaidades e nos meus sonhos que terão ou não um futuro... Pensando nisto eu caí profundamente nesta questão da falta de amor... Não me refiro ao amor próprio este eu tenho (hoje mais ainda), mas aquele amor que procuramos no outro...
Todas as pessoas estão procurando um amor... Os adolescentes, os religiosos, os gays enrustidos que chamam o suposto ser amado de “melhor amigo” (isso serve para lésbicas também)... Enfim este amor.
Procuro um amor como Frejat descreve em sua canção “Que seja bom pra mim...” Algo do tipo ficar deitado na cama e assistir juntos a Ana Maria Braga por que ambos faltaram o trabalho para passar a segunda-feira juntos, tão juntos, a ponto de ir ao posto médico para pegar atestados e depois comprar sorvete napolitano Kibon para comer no almoço.
Sabe aquele amor “mais de uma hora no telefone”, das músicas de Roberto Carlos tipo “Pra Sempre” é deste amor que tenho anseio. É amizade colorida nos tons mais quentes possíveis. É misto de perfume de flor e brinquedinhos de sex shop (aqueles óleos, dadinhos, baralhos, chicotes e...).
Volto a olhar para mim... E me vejo cair mais uma vez nas mesmas questões de tantos outros textos que já escrevi. No entanto, não quero tais questões e sim respostas algo forte como na letra da Pitty “Que você me adora que me acha foda.” Sim algo neste nível “fodastíco” (pro espaço norma culta), quero um amor coloquial, vulgar, chulo até, mas com a capacidade de me transformar em príncipe.
Príncipe de um apê quarto e sala ou de uma quitinete, príncipe de uma casa de alvenaria... Príncipe “na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê” príncipe sim, por que não?
A bíblia diz que Deus não habita onde existe dúvida. Tudo bem entendi, mas se eu tenho tantas... --- Eí Deus vamos conversar ok?! De repente, caio na cilada daquele passado que me deixou, porém existe algo que eu nunca disse sobre isso, isso sim está distante de mim, o azar do passado é que já não terá meu amor no futuro, afinal eu sou amor...
Amor procurando outro amor... Não importa cor, religião, (ultimamente nem sexo, rsrs). O que importa é que venha para dentro de mim de onde vier, que traga luz, que traga flor, que traga água fresca para apagar o fogo da minha alma. Pode ser de longe, pode ser de perto, pode ser do céu, sim pode ser alienígena... (gargalhadas).
Será que o problema é a aparência? Estou passando por alguns probleminhas que me deixa um pouco apreensivo, mas sempre solto a perola “Tem pra todo gosto” e isso é verdade (volto ao ponto) onde está quem é do meu gosto? Rsrs Você aí conhece alguém para mim? Uma amiga ficou de me apresentar uma menina depois do carnaval, estou ansioso vai que rola?
É melhor terminar, odeio quando meu texto fica cheio de interrogação e nenhuma resposta. Agora quero realmente desabafar estou  procurando um amor, anseio por isto, mas não condiciono e não vou condicionar a minha vida ao que ainda não tenho, hoje tenho a mim, amanhã já será eu e meu amor e depois... “deixa acontecer naturalmente...” Afinal ninguém quer chorar antecipado!


Com Amor


Sérgio

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A iniciação de Lord Barros

Existem mulheres transgressoras,

Existem mulheres devoradoras,

Existem mulheres fatais...

No entanto, uma única mulher conseguiu possuir todas estas marcas e somou tudo ao seu apetite voraz.
Ela aliciou um jovem rapaz.

Este, inocente, foi dominado pela experiência desta femme que em seus braços o transformou em um homem.

Esta mulher o vampirizou, arrebatou e deu-lhe títulos.

Esta mulher o chamou de seu, o dominou e ele, ele se apaixonou...

Por ela, ele caminhou, por ela se dedicou e quando todos pensaram que ela iria abandoná-lo...
Ela, a Literatura, simplesmente se revelou, se entregou e hoje sabemos...
Ela o amou.



Sérgio Breneditt 


sábado, 22 de janeiro de 2011

Ao Encantado


A história não começa em uma floresta, mas tinha um cenário real. Era acolhedor, bucólico e singelo...
No caminho não tinha anões, nem casa construída com doces. No entanto, neste tinha a doçura de um chocolate e o companheirismo comum a amigos que sempre estão juntos.
Não tinha fada-madrinha, nem bruxa, nem ao menos maçã. Não tinha castelo, nem rei, nem princesa adormecida. O lobo mal também não faz parte desta história...
Você também não vai encontrar aqui ratinhos costureiros... Nesta existiu apenas dois personagens: o plebeu e o encantado.
Era para ser uma história de amor, um amor com uma tendência homoerótica bem transgressora, mas não foi assim que aconteceu... Por acaso eles se encontraram, foi por caso que viveram em cumplicidade e por caso se amaram.
Não teve planos, os caminhos, o destino, as mãos de Deus quem os guiou pela estrada que seguem as pessoas apaixonadas...
O Plebeu era a intensidade, o desbravador, era o cara que sonhava vencer. O Plebeu era misto de força e ingenuidade alguém que matava gigantes durante o dia e a noite chorava contemplando o mar.
Por sua vez, o Encantado era mágico, ilusionista, perspicaz... Um lord possuidor de tudo que encostava a mão. Seu rosto sereno e maduro inspirava a confiança de chegar a algum lugar. Ao lado do Encantado, ninguém estaria perdido e foi assim que o Plebeu se sentiu...
Os dois se completavam. Plebeu tinha a família e o amor, já o Encantado tinha a noite, a liberdade do ar em percorrer todos os espaços. Juntos eram invencíveis... Juntos eram completos... Juntos eram como misturar a chuva e o sol... Juntos eram arco-íris.
No entanto, depois de longos anos vivendo no anonimato dos afetos escondidos, o Plebeu pediu para ouvir a palavra amor... Por medo, o Encantado o deixou... Na solidão o deixou, não teve desculpas foi um simples adeus, uma carta que falava de uma herança de diamantes e mais solidão.
Hoje, Plebeu, não sabe nada sobre o Encantado... Segue vivendo sua vida, faz faculdade, trabalha e busca encontrar se não o arco-íris pelo menos um pote de ouro.
A história não acaba com um final feliz, não era um conto de fadas era apenas mais um conto... Não termina com a máxima “E foram felizes para sempre.”
O que sei e posso deixar registrado aqui é que o Plebeu ainda ama e mesmo negando espera a volta... A volta do Encantado.


Sérgio Breneditt


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Um Conto quase Erótico


"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida.

O artigo, era bem definido, feminino, singular. Era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrario dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo ate gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.De repente, o elevador para, só com os dois lá dentro. Ótimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos.

Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e para exatamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposto. Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.

Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.

Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era virgula. Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. E claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona as vontades dele e foram para o comum de dois géneros. Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais. Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objeto, tomava a iniciativa.

Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular. Ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forcando aquele hífen ainda singular. Nisto a porta abriu-se repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjetivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na histoória. Os dois olharam-se e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício

Que loucura, meu Deus. Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objetos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que, as condições eram estas. Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na historia. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel a língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva."

Desconhecido

(Li este conto no blog Coisas de Lily e adorei)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ao FINADO


Para: Machado

Jaz aqui alguém que um dia chamei de amor.
O homem que dediquei a pureza do que sou.
Jaz a lembrança desta semelhança de Deus cuja a raiz está plantada em meu jardim.
Como estou só diante deste túmulo.
Se te entregasse o meu sangue voltarias para mim?
Meu desejo é sublimado, preciso dos seu pêlos mais uma vez.
Posso experimentar vários corpos, vários amores, mas sem tê-lo aqui tudo é apenas experiência, sem verdades, um baixo amor.
Jaz o perfume e o suor deste Lord que um dia em seus braços me fez Rainha.
Oh! Terra maldita, por que toma para si o que estava em mim?
Por que devora o corpo do amado de minh'alma?
(Lágrimas e Murmúrios)
Jaz minha metade, meu fundamento.
Me desfaleço nesta dor.
Sou triste.
Sou pequena.
Sou viúva inconsolável do amor.
Sérgio Breneditt



quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

DESEJO SOFRIMENTO



Hoje alguém me apareceu, feito de luz e de trevas, e me seduziu...
Roubou-me beijos e carícias... Corremos riscos juntos...
Foi assustador saber que aquele alguém me desejava sem nunca ter me visto... Senti-me especial, senti-me desejado, senti-me vazio também...
Procuramos um local, não encontramos, lhe beijei e seguimos em direções opostas...
Questiono-me agora, mas sinto saudade daquele toque... Por que ainda não chegou?
Onde estará Deus? Conversei com Ele cinco minutos antes e tudo que eu temia aconteceu...
Nada valeu? Maldito espinho na carne... Quanta culpa, quanto querer juntos...
Momentos, Mudanças, Transformações... Libertação onde estará?
Medo do inferno, medo do Diabo, medo de mim, da natureza humana que há em mim...
Essa é pior, essa destrói, essa consome e respira e é essa que me fará procurar amanhã...
Quem sabe o telefone? Quem sabe algo mais? Quem sabe outro beijo?
Amor não é isso... Isso que estou vivendo não tem nome nem ao menos definição é misto de insegurança, saudade, paixão. É desilusão, depressão, excitação... É mal, é lamento...
Estou cansado deste Desejo Sofrimento.

Sérgio Breneditt