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sábado, 22 de janeiro de 2011

Ao Encantado


A história não começa em uma floresta, mas tinha um cenário real. Era acolhedor, bucólico e singelo...
No caminho não tinha anões, nem casa construída com doces. No entanto, neste tinha a doçura de um chocolate e o companheirismo comum a amigos que sempre estão juntos.
Não tinha fada-madrinha, nem bruxa, nem ao menos maçã. Não tinha castelo, nem rei, nem princesa adormecida. O lobo mal também não faz parte desta história...
Você também não vai encontrar aqui ratinhos costureiros... Nesta existiu apenas dois personagens: o plebeu e o encantado.
Era para ser uma história de amor, um amor com uma tendência homoerótica bem transgressora, mas não foi assim que aconteceu... Por acaso eles se encontraram, foi por caso que viveram em cumplicidade e por caso se amaram.
Não teve planos, os caminhos, o destino, as mãos de Deus quem os guiou pela estrada que seguem as pessoas apaixonadas...
O Plebeu era a intensidade, o desbravador, era o cara que sonhava vencer. O Plebeu era misto de força e ingenuidade alguém que matava gigantes durante o dia e a noite chorava contemplando o mar.
Por sua vez, o Encantado era mágico, ilusionista, perspicaz... Um lord possuidor de tudo que encostava a mão. Seu rosto sereno e maduro inspirava a confiança de chegar a algum lugar. Ao lado do Encantado, ninguém estaria perdido e foi assim que o Plebeu se sentiu...
Os dois se completavam. Plebeu tinha a família e o amor, já o Encantado tinha a noite, a liberdade do ar em percorrer todos os espaços. Juntos eram invencíveis... Juntos eram completos... Juntos eram como misturar a chuva e o sol... Juntos eram arco-íris.
No entanto, depois de longos anos vivendo no anonimato dos afetos escondidos, o Plebeu pediu para ouvir a palavra amor... Por medo, o Encantado o deixou... Na solidão o deixou, não teve desculpas foi um simples adeus, uma carta que falava de uma herança de diamantes e mais solidão.
Hoje, Plebeu, não sabe nada sobre o Encantado... Segue vivendo sua vida, faz faculdade, trabalha e busca encontrar se não o arco-íris pelo menos um pote de ouro.
A história não acaba com um final feliz, não era um conto de fadas era apenas mais um conto... Não termina com a máxima “E foram felizes para sempre.”
O que sei e posso deixar registrado aqui é que o Plebeu ainda ama e mesmo negando espera a volta... A volta do Encantado.


Sérgio Breneditt


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Um Conto quase Erótico


"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida.

O artigo, era bem definido, feminino, singular. Era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrario dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo ate gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.De repente, o elevador para, só com os dois lá dentro. Ótimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos.

Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e para exatamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposto. Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.

Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.

Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era virgula. Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. E claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona as vontades dele e foram para o comum de dois géneros. Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais. Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objeto, tomava a iniciativa.

Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular. Ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forcando aquele hífen ainda singular. Nisto a porta abriu-se repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjetivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na histoória. Os dois olharam-se e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício

Que loucura, meu Deus. Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objetos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que, as condições eram estas. Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na historia. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel a língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva."

Desconhecido

(Li este conto no blog Coisas de Lily e adorei)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Uma Música


HUMAN

Natalie Grant


Every life has a choice
To rise above, to fill the void
Every heart has a mission
And we are called to be human

We gotta do better than this
‘Cuz we only got one chance to make a difference
We gotta do better than this
‘Cuz we only got one life that we’ve been given
A little love
A little kindness
A little light in this time of darkness
It’ll be what makes us different
It’ll be what makes us human
I’m human
You’re human
We are human

We are marked with His image
We are scarred with indifference
Maybe now we should listen
Hear the cry of God’s children

We gotta do better than this
‘Cuz we only got one chance to make a difference
We gotta do better than this
‘Cuz we only got one life that we’ve been given
A little love
A little kindness
A little light in this time of darkness
It’ll be what makes us different
It’ll be what makes us human
I’m human
You’re human
We are
We are human
I’m human
You’re human
We are
We are human

I gotta do better than this
‘Cuz I’ve only got one chance to make a difference
I gotta do better than this
‘Cuz I’ve only just one…

I’m human
You’re human
We are human
I’m human
You’re human
We are human

A little love
A little kindness
A little light in this time of darkness
It’ll be what makes us different (different)
It’ll be what makes us human

Oh oh oh
We are human
Oh oh oh (All we need is a little love
We are human

I’m human
You’re human
We are
We are human



domingo, 21 de novembro de 2010

Uma Música




Pra Ser Amor
Ricky Vallen


Pra ser amor
Tinha que ser mais forte do que nós
Ser companhia quando estamos sós
Ser invisivel e abrasador

Pra ser amor
Tinha que haver bem mais compreensão
Tinha que ser maior do que a razão
Ser imbatível como um vencedor

Se fosse amor
Todo o universo ia conspirar
Dando um remédio pra aliviar a dor
Pra ser amor
Tinha que ser nós dois

Pra ser amor
Tinha que ser mais forte do que nós
Ser companhia quando estamos sós
Ser invisivel e abrasador

Pra ser amor
Tinha que haver bem mais compreensão
Tinha que ser maior do que a razão
Ser imbatível como um vencedor

Se fosse amor
Todo o universo ia conspirar
Dando um remédio pra aliviar a dor
Pra ser amor tinha que ser nós dois

Pra ser amor tinha que ser nós dois
Pra ser amor



sábado, 9 de outubro de 2010

Velhas Lágrimas



Já se passou tanto tempo depois da ultima vez que vivenciei o que chamei de amor.
Os sonhos, planos e até a pele mudou são novos fios e novos pêlos.
No entanto, permanecem as velhas lágrimas e estas companheiras de anos ainda teimam em rolar pelo mesmo desejo, o desejo do encontro.
Nestes dias, talvez por carência, meu coração começou a bater mais forte por uma figura, figura sim, pois essa pessoa não possui classificação. O coração bateu pelo sorriso, pelo olhar, pelo tom terno de falar. Bateu pela liberdade, pela ousadia, pela vida desprendida desta figura. O coração bateu!
Mas não devia bater. Eu não sou o especial, não sou o escolhido, não sou o... Eleito!
Agora me questiono...
Será que um dia vão me encontrar?
Será que um dia eu serei convidado a ir, pela minha companhia e pelo desejo de ter-me ao lado?
Será que um dia deixarei de ser o menino meio louco, meio pervertido, meio crente, meio dócil que a figura me pintou?
Antes de terminar, velhas lágrimas caíram novamente e algumas mancharam esta página, outras molharam minhas mãos e existem aquelas guardadas, guardadas no coração esperando a tão sonhada hora da escolha, hora do encontro onde o questionar terá resposta e o amor me tomará pela mão.

Sérgio Breneditt

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Não nos contaram...

Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.

Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo.
Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava.

Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.

Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.

Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto.
Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.

Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.
Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.

Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente.
Cada um vai ter que descobrir sozinho.
E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.

Martha Medeiros

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

...

"Às vezes, estamos tão carentes e vazios, que qualquer comida nos serve, qualquer migalha vira um delicioso pão e qualquer beijo vira paixão."

E. Santo

MEDO