quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Naqueles Dias - Carnaval


Quando ergueu a cabeça, após contemplar em silêncio os pés daquele que lhe dizia, ele percebeu não importava mais.

Já não havia o querer de correr para aqueles braços... Não havia o querer.

Seu coração sentia uma leve e continua dor, misto de magoas e desilusões... Ele saiu... O tempo passou...

Perdeu-se a vontade de continuar com aquele enredo foi aí que a Whitney Houston se calou... Não era mais necessário o I have nothing, nem Run for you, tampouco o I will always love you. Era o fim daquele I belive you and me.

No entanto, a brisa do mar daquela madrugada, o cheiro de um cigarro de maconha e as diversas pessoas em suas diversidades sexuais se amando ali o fizeram contemplar seu antigo pesar.

Sua amiga já havia lhe dito o quanto ele precisava chorar, sofrer, lamenta aquela perda, mas... Impossível, chorar não conseguia... Nunca conseguiu.

Ele lembrava e relembrava. Ansiava por um toque qualquer, semelhante, simples... Um toque humano. Sentou-se diante do reino de Yemanjá, seu all star verde afundou na areia, fechou os olhos e dormiu.

Alguém tocou em seu ombro, seu amigo regressava de um momento de intimidade dizendo “Cara, é hora de voltar para casa.” Ele ergue a cabeça contemplou em silêncio aquele local e percebeu era apenas o primeiro daqueles dias de carnaval.

Sérgio Breneditt


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