Este espaço serve para depositar as palavras que não consegui dizer...
São as Vozes das minhas Muitas Almas...
Meus Momentos de Silêncios e Lágrimas...
Mudanças de Moradias e de Atitudes...
Lugar para dividir minhas Transformações Interiores...
É Um Pouco + d Mim.
Como é bom descobrir que ainda lembro a senha deste blog.
Tantos anos se passaram. Tanta coisa aconteceu desde o dia em que publiquei meu primeiro texto aqui. Já estamos em 2026, e eu sou um homem de 42 anos.
Este blog nasceu como um lugar de desabafo. Um espaço para contar histórias, elaborar dores e exaltar um amor que nunca chegou a existir. Era o refúgio de uma gayzinha no início da faculdade, ainda dentro do armário, virgem, apaixonada pelo melhor amigo e carregando mais traumas do que palavras para nomeá-los.
Hoje, as questões são outras.
Há novos traumas, é verdade, mas também há maturidade. A vida adulta chegou com boletos, aluguel e relações que nem sempre ficam. Chegou com terapia, remédios controlados e alguns amores imperfeitos, reais, possíveis.
Hoje consigo me enxergar como sou: um homem gay, negro e gordo, capaz de amar, de ter fé e de continuar acreditando em tantas coisas, mesmo depois das quedas. Revisitar este lugar é perceber que muito do que me trouxe até aqui ainda vive em mim. Não como ferida aberta, mas como parte do meu crescimento, da minha história e da pessoa que continuo me tornando.
Deveria ter ficado quieto e não ter brincado com o
fogo, com o seu fogo...
Sou menino ainda e todos diziam: “não tem nada
haver”.
Eu sempre soube das coisas que eu preciso e não era
isso somente.
Não foi o que foi feito, mas suas conseqüências...
Estou com medo de a queimadura ser muito
grave.
Preciso de um remédio dado pelo tempo.
Preciso de um descanso dado pelos feriados.
Preciso de um beijo desapaixonante.
Preciso de uma pegada fria.
Quero me esvaziar, começar e outra coisa...
Você tem nome de anjo... Deveria ser um.
No entanto, depois daquilo e daquilo, fui tomado
pelo seu pecado, sua perversão e pelo o seu “não quero você”. Fui guiado pelas águas
frias mais quentes que conheci.
Querendo ser transportado para um lugar de silêncio, eu escrevia qualquer coisa no papel... A falta de compromisso com a escrita era só o passatempo para esperar a chuva cessar.
Sentei-me na praça de alimentação do shopping com uma bolsa de lado contendo: uma agenda velha, canetas, o livro Cinquenta Tons de Cinza de E L James, camisinhas, alguns remédios e as chaves; na carteira: cartões de débito, seis reais e uma declaração da UERJ; no MP4: o novo cd da Eyshila, Diana Krall e Lana Del Ray.
Ao som repetitivo da música Born To Die foi possível calar todo aquele espaço e me transportar nas notas bem interpretadas que destoavam a visão naquele local. Fechei os olhos e me enxerguei mais uma vez desta fez já no lugar de silêncio onde a canção foi o único e predominante som.
Lembrei da minha infância, os brinquedos e a velha TV preto e branco que ocupavam a escrivaninha do meu quarto. A colcha da cama com estampa de anjos e o velho toca-discos onde Papai ouvia Roberto Carlos nos finais de semana, assim como minha coleção de tampinhas de refrigerantes com personagens Disney, me lembrei.
Lembrei do nascimento da minha irmã em um domingo quente de janeiro, de ter caído da escada na hora de pedir alguém para levar minha mãe para o hospital e da oração que fiz, sozinho, com medo de acontecer alguma coisa ruim com ela. Lembrei-me do dia que mudei para casa de vovó e que não deixaram trazer meu cachorro Mascote (saudades).
Lembrei do primeiro dia na escola da nova cidade... Dos amigos, dos sonhos e amores da adolescência. Feet don't fail me now take me to the finish line... (Pés, não me falhem agora leve-me até a linha de chegada...), como eu quis crescer, cantar, interpretar, escrever, sorri, amar e até voar... Desperto em minhas questões... E hoje aqui...
Hoje, aqui, espero a chuva passar na praça de alimentação de um shopping com uma bolsa de lado contendo: uma agenda velha, canetas, o livro Cinquenta Tons de Cinza de E L James, camisinhas, alguns remédios e as chaves; na carteira: cartões de débito, seis reais e uma declaração da UERJ; no MP4: o novo cd da Eyshila, Diana Krall e Lana Del Ray.
Já é o final de novembro, o tempo está passando depressa e sem compromisso sigo escrevendo na esperança de alguém que me observa se aproximar, me tocar e com ternura falar: “Vamos ficar loucos... Deixe-me te beijar na chuva... Por que você e eu... We were born to die (nos nascemos para morrer)”.
Ser o primeiro a conhecer tuas
intenções e ter tua cabeça no meu colo para um cafuné e um pouco de TV.
Quero em meio aos lençóis,
na hora de juntos adormecer, perceber o quanto sou feliz por ter me apaixonado
por você. Perceber que a melhor coisa da minha vida foi ter ligado um dia para
o teu número, ter entrado no teu carro e com ternura ter beijado você...
Quero te dá meu coração... Aceitarias?
Quero ser invadido pela sua
ousadia... Invadirias?
Acima de qualquer suspeita o homem entra no quarto do hotel vestindo seu terno preto e carregando sua pasta com os contratos do escritório.
Algum tempo depois, um outro homem pede a chave do quarto 302 vestindo um jeans e carregando sua mochila preta.
A chave é colocada na porta que, ao ser aberta, permite a passagem de um som... Era uma música atual de tema romântico. A porta fica entreaberta.
De longe, a camareira observava tudo e, curiosa, se aproxima do quarto. Eis que um reflexo no vidro denuncia O CASAL.
[Devagar ela fecha a porta, sorri em sua ignorância e volta a trabalhar.
II
Ansioso, ele sai do escritório na hora do almoço vestindo seu terno preto carregando a pasta de contratos. Pede a chave do apartamento, já reservado, avisando que vai chegar uma visita e uma cópia da chave deveria ser entregue.
Deixa a pasta e o paletó sobre a mesa, fecha as cortinas, liga uma música e coloca o champagne no balde gelo.
Após um rápido banho, caminha pelo quarto, quando ouve o barulho da chave abrindo a porta. De longe, a camareira observava tudo e, curiosa, se aproximava do quarto, mas ele não percebe. Afinal, aquele a quem aguardava o tinha abraçado e o envolvido em uma terna dança sobre a meia luz que vazava pelo black-out das janelas.
III
Ao dar a partida no carro, ele vê uma mensagem em seu celular... A leitura traz um sorriso ao rosto que antes estava triste por mais uma briga com a namorada... Chegou ao hotel com sua mochila e seu jeans. Rápido pegou a chave com a recepcionista.
Já fazia um tempo que eles não se encontravam. Ele submergido com a faculdade e o estagio. O outro, em suas viagens de negócios e a esposa. Abriu a porta e contemplou o único homem que amou. O abraçou com ternura e ao som da música de Cazuza, que tocava na radio MPB, foram envolvidos em uma dança.
De longe, a camareira observava tudo e, ao se aproximar da porta, eis que um reflexo no vidro denuncia O CASAL.
Devagar ela fecha a porta, sorri em sua ignorância e volta a trabalhar, afinal era mais um dia típico no hotel.
Quando seus olhares se encontraram houve uma explosão dentro dele...
Um sentimento intenso de querer, de repentina paixão e desejo...
Um sorriso no canto da boca, um piscar sexy com um olho e ele entrou na festa de seu amigo.
O outro, o portador do desejo, era um dos convidados e todo o clima evidenciava que aquela noite eles passariam juntos...
Um abraço na nova amiga lésbica, ele se ver sendo encarado pelo aquele belo homem... Alto, de cabelos negros e pele clara davam o contorno para sua moldura... Uma voz astuciosa e tímida era o elemento para tornar aquele o alvo de seu querer a noite toda... A noite começou.
Seu amigo, o aniversariante, faz as apresentações... Este é o (nome proibido), este é ele, meu amigo... Um aperto de mão e o clima de tensão típico em pessoas que se interessam... Estes são os outros amigos... Simpáticos e felizes todos os novos amigos na Boate para comemorar e dançar.
Um drink novo, alguns ursos e um abraço... Um cochichar no ouvido e a verdade vêm à tona o homem estava comprometido com o outro... Uma sensação de frustração toma conta dele e ele pede uma coca-cola e vai dançar com a nova amiga de modo a ignorar tal situação, tal ilusão.
Sentimentos confusos... Era nova tal situação e em sua juventude nunca tinha participado de uma traição. Nunca tinha vivenciado tal. No entanto, era segundo o seu amigo uma relação aberta e livre de qualquer mal estar... Seus olhos brilhavam ao encontrar aquele outro, aquele outro olhar.
Na dança, nas conversas e em todo o tempo ali eles eram consumidos pelo desejo de ter o outro... O que deveria ser aberto não estava naquele dia... A suposta modernidade no relacionamento se tornou contraditória ao ser negado a eles o direito de um simples beijo, um simples e terno toque.
A outra parte impedia o seu companheiro de conhecer ele e de um modo muito tênue as cartas foram jogadas na mesa. Ele tinha direito de querer, mas não tinha direito a ter talvez por ciúme, insegurança ou qualquer outro sentimento de um cara mais velho.
Era notório o desconforto... Ele sabia que aquele homem proibido o desejava... Aquele rosto o procurava por todo o local... Aquele umidificava os lábios todas as vezes que ele usava seu gloss de menta... Aquele sorria no canto da boca de um modo muito sexy para ele enquanto abraçava friamente o seu “amado”.
Chegou a ser divertido ser tão desejado, mas por bom senso não investiu... A festa tinha acabando, o cara mais velho desfrutou da liberdade do relacionamento aberto enquanto o homem proibido caminhava ao lado dele em direção ao ponto de ônibus. Algumas palavras e um querer explodindo... Mais palavras.
Já amanhecia quando o ônibus chegou... Ele se despediu dos novos amigos e abraçou aquele homem que desejou a noite toda, um abraço quente e um sussurrar no ouvido ele lhe disse: “Foi um prazer te conhece queria ter mais...” Fez se um breve silêncio naqueles braços como se aquele homem procurasse alguém...
Então uma resposta veio confirmar tudo o que ele sentiu a noite toda... “Hoje não deu, mas até a próxima... (neste momento os lábios do homem proibido encontram a orelha dele e sussurra calorosamente) Vai ter próxima, tenha certeza.” Desfez-se o abraço. Ele entrou no ônibus...
Lá atrás, próximo a janela, onde se sentou olhou para aqueles que foram sua companhia a noite toda e deu ultimo aceno. Para o homem proibido ele piscou do mesmo jeito sexy que fez no inicio e foi retribuído pelo sorriso no canto da boca e um olhar desejoso e fixo...
Ônibus seguiu viagem, a amiga lésbica adormeceu e ele se encolheu entre ela e o amigo aniversariante devido ao frio e conversou com seus pensamentos. O amigo pergunta se estava tudo bem e respondeu “sim”, mas na verdade estava mal e tudo por causa do homem proibido para ele.